Opinião: PT troca de roupa, muda discurso para sobreviver e padre é escalado para perdoar e abençoar ‘golpistas’ da PB


Em meio ao oceano de pessimismo e muita desconfiança, fruto do total descrédito da sociedade com a classe política diante de uma intermitente avalanche de escândalos de corrupção, que se tornou um verdadeiro esgoto a céu aberto em todo o país, o partido que um dia quis e posou de vestal para os demais caminha para escrever mais um capítulo de seu fétido e sepulcro epílogo. Não bastasse a insanidade de bafejar aos quatro cantos a presunção de uma candidatura inexistente, o Partido dos Trabalhadores resolve agora ‘abençoar’ seus algozes mais recentes, até então chamados de ‘golpistas’, ‘dourando’ alianças aqui e alhures, para atender os mais estranhos e inconfessáveis interesses de momento.
Na Paraíba, por exemplo, o partido deixará de lado todas as críticas que sempre fez ao deputado Veneziano de Vital (PSB), tratado até então como ‘golpista’ pelo fato de ter votado a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), para abraçá-lo como o melhor e mais fiel aliado. “Vamos esquecer todos os problemas, porque nós conseguimos o que queríamos que era colocar Luiz Couto como senador na chapa do PSB”, justificou, sem qualquer prurido, o deputado estadual Anísio Maia, um dos mais combativos arautos contra os ‘golpistas’ do PT.
Apesar da força preservada pelo ex-presidente Lula, sobretudo no Nordeste, o enfraquecimento do PT empurra a sigla para o lado das velhas oligarquias da região, vide os Calheiros (Renan pai e filho) em Alagoas. No Ceará, os petistas rifaram a candidatura de José Pimentel para mais um mandato no Senado, abrindo  caminho para Eunício Oliveira (MDB), até então outro ‘golpista’.
A verdade é que o PT há muito é mais uma legenda na sopa de letrinhas do controverso sistema político-partidário brasileiro. Agora, para sobreviver, topou mergulhar no poço das incoerências eleitorais nem que para isso tenha que esquecer os que o tiraram do poder.
Aliás, de uns tempos para cá, sobram incoerências no partido do primeiro ex-presidente da República preso da história. Em vez de assumir os próprios erros, Lula e seus seguidores insistem no discurso vitimista e ameaçador. Teimam em transformar suas crenças em dogmas e sustentam uma absurda teoria da conspiração. Se a estratégia de convencimento já não funciona como antes, isso se deve muito às incoerências e contradições de uma esquerda cada vez mais troncha e enviesada.
Com tantas contradições, aqui e acolá, cai bem a frase lapidar de Anísio Maia, para quem “o momento agora é de arregaçar as mangas e lutar para que a chapa se torne mais forte ainda e seja grande vencedora nas eleições desse ano”.
É verdade, Anísio, mas antes, até em homenagem a história política do próprio partido que tanto defende, e em meio ao virtual anúncio do deputado federal Luiz Couto como segundo senador na chapa do PSB, de Ricardo Coutinho, vale a pena resgatar o dia em que o governador ameaçou o petista e prometeu revelar os seus ‘podres’.
Veja o vídeo:


Ivandro Oliveira é jornalista e Diretor de Conteúdo do portal Tá na Área
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