JUNCO DO SERIDÓ: Oito trabalhadores são resgatados em situação de escravidão


Mais uma vez, a Paraíba mostra uma situação análoga à escravidão pela imprensa. Uma operação policial resgatou oito trabalhadores que atuavam na extração de caulim na cidade do Junco do Seridó, no Seridó da Paraíba. A ação foi divulgada nesta segunda-feira (10). Os trabalhadores estavam em condições análogas à escravidão, de acordo com o Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM).
O Grupo inspecionava minas no Sítio do Galo Branco, cujas banquetas são abertas e exploradas por empresas de beneficiamentos do produto. No local, a equipe encontrou oito trabalhadores. Uma parte deles estava extraindo o minério de forma manual, com auxílio de ferramentas manuais.
Um precário sistema de içamento também foi registrado, composto por carretel, corda e manivela, montado sob cavalete improvisado de galhos, em banqueta cujas medidas era de cerca de um metro quadrado de área de acesso e 12,5 metros de profundidade. Já a outra parte de trabalhadores estava extraindo o minério de forma manual, com auxílio de ferramentas manuais e de um guincho improvisado, em banqueta de aproximada metro quadrado de área de acesso e 14 metros de profundidade.
A fiscalização informou que as pessoas estavam em condições de trabalho extremamente perigosas, utilizando equipamentos montados de forma precária, com risco iminente de quedas e de soterramento. Outros pontos negativos foram os locais estarem confinados em exposição a riscos atmosféricos.
Ainda de acordo com a fiscalização, as banquetas eram escavadas e exploradas sem qualquer precaução do ponto de vista técnico e sem fornecimento de equipamentos de proteção que garantissem a mínima segurança. Os trabalhadores recebiam menos de um salário mínimo por mês para passarem pelo menos seis horas por dia no local. Os trabalhadores não tinha acesso a instalações sanitárias nas frentes de trabalho e não tinham fornecimento de água fresca e limpa. 
Os demais direitos trabalhistas, como a carteira de trabalho assinada, também não faziam parte do acerto com as empresas que adquiriam todo o minério que eles retiravam do local. O caulim retirado das minas era negociado pelas empresas responsáveis pelas atividades do beneficiamento, com indústrias nacionais que vendem o produto nas fábricas de tintas, alpargatas e cerâmicas.

Recorrência – A Paraíba luta contra este tipo de “trabalho” há muitos anos e ainda não se tem uma noção de quantas pessoas podem estar nas mesmas condições. Outra operação como esta, ocorrida em maio deste ano, resgatou 12 trabalhadores que atuavam na extração de caulim na cidade de Salgadinho, também no Sertão do Estado. Leia sobre o caso aqui.

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